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Dislexia, uma dificuldade a ser vencida

06/03/2013

Um transtorno genético e hereditário que compromete capacidade de aprender a ler e escrever, a dislexia é um desafio para pais e educadores na busca pelo sucesso escolar. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), pesquisas internacionais apontam que entre 0,5% a 17% da população mundial tem o distúrbio, caracterizado pela dificuldade no reconhecimento do código escrito e na soletração, ou seja, um déficit de origem neurológica no componente fonológico da linguagem.

"De um modo simplificado, o disléxico é uma pessoa inteligente e capaz, porém apresenta dificuldades na leitura e na escrita", explica a fonoaudióloga Diana Faria, que é credenciada junto à ABD para o tratamento de portadores desse transtorno.

Para a especialista, o disléxico poderá alcançar todos os seus sonhos desde que suas dificuldades sejam respeitadas e suas habilidades sejam valorizadas. Mas a maior dificuldade ainda é a falta de informação dos pais e professores. "Um disléxico auxiliado no ambiente escolar e que inicia terapia fonoaudiológica e psicopedagógica precocemente tem chances de desenvolver adequadamente a leitura e escrita e mostrar todo seu potencial nos estudos", salienta. Por isso, conhecer a fundo a dislexia é um compromisso exigido de educadores, terapeutas e pais.

Diana desenvolve há 15 anos o trabalho clínico em Sorocaba, é especialista em voz e mestre em fonoaudiologia. É autora de livros e softwares educativos voltados para o aprimoramento da comunicação e da relação ensino-aprendizagem. Segundo ela, os sintomas da dislexia aparecem na fase escolar, portanto, alguns sinais devem ser observados.

Quanto mais cedo a criança com dislexia for ajudada, maiores são as chances dela desenvolver a leitura e a escrita de modo eficiente. "Por volta dos 4 anos podemos verificar algumas características que nos levam a suspeitar da dislexia, e aos 7 anos podemos concluir o diagnóstico", explica a fonoaudióloga.

Desinteresse

A fonoaudióloga chama a atenção para o fato de que, embora sejam pessoas inteligentes, os disléxicos aparentam ser desinteressados, desatentos e preguiçosos por causa das dificuldades que enfrentam na escola. "Apesar de apresentarem inteligência normal ou acima da média é comum eles se sentirem desmotivados para os estudos, pois sua autoestima fica extremamente abalada com os fracassos escolares", diz.
 
O tratamento geralmente é feito por uma equipe multidisciplinar composta por fonoaudiólogo, psicopedagogo e psicólogo, profissionais capacitados para apoiar a criança, pais e educadores.

Como agir

Para os pais, Diana ressalta que é importante saber que a criança está fazendo o melhor que pode para aprender. "O que achamos que é preguiça pode ser uma grande dificuldade. E ninguém sente prazer em fazer algo que tem dificuldade ou que sempre é criticado".

Ajudar a estudar e a desenvolver o vocabulário, lendo em voz alta para a criança, todos os dias, é uma dica valiosa. "Do mesmo modo, é necessário valorizar a cvida da criança, além da escolar", completa.

Para os professores, a especialista aconselha achar formas diferentes de ensinar um mesmo conteúdo, respeitando as dificuldades e valorizando os avanços. "É uma prática saudável tanto para disléxicos quanto para qualquer outro aluno", explica.

Ela recomenda, ainda, que durante as avaliações é preciso lembrar que o disléxico poderá ter dificuldade em compreender o enunciado da questão. "Com certeza, ele saberá muito mais do que é capaz de escrever, portanto, é preciso deixá-lo se expressar oralmente ou por meio de desenhos ou esquemas. Afinal,  se o disléxico não aprende do modo que o ensinamos é sinal que devemos aprender outros modos de ensiná-lo", orienta.

Sinais se destacam da infância à fase adulta.

As dificuldades da criança em aprender cores, o alfabeto, evoluindo para o nível de leitura abaixo do esperado e com erros e até a própria ausência de leitura na idade adulta são sinais que acompanham o perfil da pessoa com dislexia.

Confira os principais sintomas, em cada fase de aprendizagem:

 Educação Infantil

  •  Demorar a incorporar palavras novas ao seu vocabulário
  •  Dificuldade para rimas
  •  Dificuldade para aprender cores, formas, números e escrita do seu próprio nome
  •  Dificuldade para lembrar nomes e símbolos

 No período de alfabetização

  •  Dificuldade em aprender o alfabeto
  •  Dificuldade no planejamento motor de letras e números
  •  Dificuldade para separar e sequenciar sons (ex: p – a – t – o )
  •  Dificuldade para aprender a ler, escrever e soletrar
  •  Dificuldade em orientação temporal (ontem – hoje – amanhã, dias da semana, meses do ano)
  •  Dificuldade em orientação espacial (direita – esquerda, embaixo, em cima...)
  •  Dificuldade de copiar do quadro


 Da 2ª à 8ª séries do Ensino Fundamental

  •  Nível de leitura abaixo do esperado para sua série
  •  Dificuldade na sequenciação de letras em palavras
  •  Dificuldade em soletração de palavras
  •  Não gostar de ler em voz alta diante da turma
  •  Dificuldade com enunciados de problemas matemáticos
  •  Dificuldade na elaboração e organização de textos escritos
  •  Podem ter dificuldade na compreensão de textos
  •  Podem ter dificuldade em aprender outros idiomas
  •  Presença de omissões, trocas e aglutinações de letras
  •  Dificuldade de planejar e organizar (tempo) tarefas
  •  Dificuldade em conseguir terminar as tarefas dentro do tempo
  •  Dificuldade em memorizar a tabuada


No Ensino Médio

  •  Leitura vagarosa e com muitos erros
  •  Permanência da dificuldade em soletrar palavras mais complexas
  •  Dificuldade em planejar e fazer redações
  •  Dificuldade para compreender textos que leu
  •  Dificuldade nas habilidades de memória
  •  Dificuldade de prestar atenção em detalhes ou, ao contrário, atenção demasiada a pequenos detalhesDiz que não gosta de ler
  •  Criação de subterfúgios para esconder sua dificuldade

Adultos

  • Lêem pouco
  • A emissão oral é comparativamente muito melhor que do a escrita 
  • Normalmente tem talentos espaciais (engenheiros, arquitetos, artistas)
  • Evitam o estudo

Se saem bem em atividades profissionais que requerem habilidades práticas ou sociais

Fonte: http://www.communicar.com.br/noticias/materia_dislexia_ipanema.html