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Afinal, o que é dislexia?

25/03/2014
Entenda a definição, os sintomas e o tratamento do distúrbio que atrapalha a leitura e a escrita

Puxe pela memória o momento em seu filho escreveu as primeiras letras e leu uma frase. É inesquecível, não é mesmo? Após essa conquista, e durante toda a fase da alfabetização, é muito importante que você esteja sempre por perto para perceber se seu filho está com problemas no aprendizado. De imediato, as crianças podem sentir dificuldade para juntar as letras e formar as palavras. E isso é normal, claro. Mas, em alguns casos, o impasse se prolonga por mais de um ano.

Nessas situações, aprender a memorizar o alfabeto e os sons ainda é um obstáculo. A leitura é lenta e a criança não consegue compreender o sentido do texto. É capaz de copiar o que está na lousa, mas não escreve espontaneamente. O que isso significa? Esses comportamentos podem ser sintomas da dislexia – um transtorno de aprendizagem definido exatamente pela dificuldade em ler e escrever. Sons semelhantes são confundidos (T/D, P/B, F/V), há inversões (sapato/satapo), supressões (branco/banco), espelho (sol/los, bola/alob), repetição (bananana), divisão inadequada de sílabas (Eugos-todomeu-pai), entre outras distorções. A criança troca as noções de direita e esquerda, tem dificuldade de memorizar o alfabeto e fica estressada para ler em voz alta, por exemplo. Mas é importante reforçar: cada indivíduo apresenta algumas dessas dificuldades em diferentes graus. Não podemos generalizar e esperar o mesmo quadro para todos. Entre 25% e 30% dos casos, o déficit de atenção está associado ao transtorno – e deve ser tratado separadamente.

Mas quando podemos saber se é dislexia mesmo? “Não há diagnóstico fechado que possa ser feito precocemente. O fato de o bebê apresentar atrasos na fala não necessariamente significa que ele seja disléxico”, explica o neurologista infantil Abram Topczewski, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). É importante que, nessa fase, seu filho seja atendido por um fonoaudiólogo, para não ficar defasado em relação às crianças da mesma idade.

Somente no período de alfabetização, uma equipe multidisciplinar poderá avaliar se realmente a criança tem o transtorno. Se você estiver desconfiado, procure um neurologista, um psicólogo e um fono, que realizarão testes clínicos. É possível que o baixo rendimento na escola seja ocasionado por outros motivos: falta de adaptação ao método de ensino da escola, ausência de estímulo, transtornos emocionais ou problemas na visão, por exemplo. Somente os especialistas terão condições de avaliar seu filho e encaminhá-lo ao tratamento correto.

 

A criança talvez se sinta inferior aos amigos, por demorar mais a fazer as lições na sala, por exemplo. As cobranças da escola e da família também podem contribuir para que ela fique ansiosa. Se esse tipo de pressão gerar alterações emocionais, um psicólogo pode ajudar a aumentar a autoestima dela. Claro: a participação da família é importante! Você deve entender que a dificuldade da criança não é resultado de preguiça ou falta de vontade dela. Leia com ela por alguns minutos, em voz alta, diariamente e use figuras para ilustrar as histórias. E mais: explique ao seu filho que dislexia não o faz menos inteligente que as demais crianças.


Um jeito divertido de tratar

 


Uma novidade, publicada no periódico científico Current Biology, mostrou ainda uma possibilidade futura (e divertida) de tratamento: videogames de ação. De acordo com estudo da Universidade de Pádua, na Itália, esse tipo de jogo auxilia que a criança lide com estímulos visuais e auditivos ao mesmo tempo – e que reaja diante deles ao apertar um botão do controle remoto, por exemplo. São as mesmas habilidades requeridas no processo de leitura.

No experimento, dois grupos (com disléxicos e não disléxicos), de indivíduos de 7 a 13 anos, participaram desse tipo de brincadeira: o primeiro brincou com um jogo de ação; o segundo, um game calmo. Dois meses depois das sessões constantes de jogos, os cientistas analisaram a habilidade de leitura das crianças com dislexia: as que haviam usado o videogame de ação melhoraram o desempenho. Já as do segundo grupo se mantiveram no mesmo estágio de capacidade de leitura. “Ainda é preciso desenvolver um método a partir dessa descoberta, mas o estudo é promissor. Uma das dificuldades do disléxico é exatamente associar estímulos gráficos e sonoros e elaborar uma resposta que faça sentido”, analisa Egeu Bosse, neuropediatra da rede de hospitais São Camilo (SP). “Desenvolver terapias sob a forma de aplicativos ou jogos pode ser uma forma de auxiliar a alfabetização com lazer.”

É importante que, além de seguir os tratamentos corretos, você comunique a escola sobre o diagnóstico de dislexia do seu filho. O professor deve perceber que a criança se distrai durante as aulas, por exemplo – já que o significado dos textos não faz sentido a ela, o assunto pode ficar desinteressante. Para evitar a dispersão, a equipe multidisciplinar que acompanha seu filho vai sugerir dinâmicas de aula que sejam adequadas para ele. Entre elas, evitar ditados, estimular o uso do computador para a escrita, permitir que a fala do professor seja gravada, encurtar a duração das tarefas e fazer provas orais são algumas das condutas da escola que podem ajudar a criança. Nas avaliações escritas, o tempo deve ser maior que o dos demais alunos e um auxiliar estará disponível para ler as questões em voz alta. Essas particularidades também podem ser requeridas no vestibular. O mais importante é que o professor faça um trabalho com as crianças da sala para evitar que seu filho seja deixado de lado. Basta explicar como funciona a dislexia!

Fonte: Site Revista Crescer

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