Educação Inclusiva

Como definir o atendimento e o projeto pedagógico para alunos com transtornos severos de aprendizagem/comportamento em salas regulares?

O atendimento e o projeto pedagógico para alunos com transtornos severos de aprendizagem/desenvolvimento nas salas regulares de ensino podem ser planejados e realizados na complexidade das relações que o aluno e o professor estabelecem consigo, com o outro, com o conhecimento e com o mundo que os cerca. O professor já envolvido nesse contexto relacional pode desenvolver atitudes de pesquisador ao deparar-se com uma situação diferenciada, com novos desafios educacionais. Para cada aspecto relacional poderá formular novas perguntas que possam orientar sua observação sistemática e contínua ao dirigir-se a esse aluno com necessidades educacionais especiais. Buscará saber sobre seus interesses e preferências: o que o mobiliza; para quem olha ou se aproxima, como interage com os outros alunos, e o que sabe sobre si mesmo. O professor também poderá estender seu olhar investigativo às novas características que o aluno apresenta: suas condições de autonomia, necessidades, limitações, potencialidades. Realizará registros cronológicos dos dados observados, incluirá os investimentos que faz, as respostas que obtém, bem como os movimentos realizados pelos outros atores envolvidos. Concomitantemente, o professor poderá criar estratégias diferenciadas de ação lançando mão de ajudas técnicas, adaptações curriculares, possibilidades de acessibilidade que possam ir além da acessibilidade arquitetônica, envolvendo também as de ordem atitudinal e pedagógica. Professor e aluno criam juntos nova relação: deficiência-potencialidade. Esse processo de aprendizagem que se desenvolve é do aluno, do professor e dos demais atores envolvidos. Se o aluno necessita de adaptações no currículo escolar e/ou ajudas técnicas; o professor necessita aprender com seu aluno, com os pares envolvidos e com autores que pesquisam e escrevem sobre o contexto das deficiências. Desse modo, pesquisando e se autoformando com seus alunos, o professor estabelecerá nova relação entre teoria-prática, reestruturando-a. Ao acolher, compreender e conviver com a vida humana em sua diversidade de condições, os atores envolvidos ampliarão o potencial da relação ensino-aprendizagem, com novos significados e sentidos.

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